• Lucelia Oshiro

Criatividade e Bem-Estar (ou: Criatividade é Bem-Estar)

Atualizado: 18 de Abr de 2020


As novas dinâmicas de trabalho e o contexto de mercado acirrado, concomitante à popularização do modelo agile, avanços em machine learning e inteligência artificial apontam para uma competência cada vez mais importante: a criatividade.


A criatividade não é imitável, não é substituível, não é artificial. É exclusiva, única, natural. Não é um certificado a mais para se destacar no mercado de trabalho, mas uma habilidade humana a ser praticada nas atividades cotidianas.


O entendimento sobre criatividade transita entre o glamour e o preconceito: do achismo de que todo criativo é artista chiquérrimo ou louco revolucionário. Não há meio termo, e a criatividade ora é vista como uma benção, ora como uma maldição.


Para além do aspecto inventivo e fantasioso, a criatividade dialoga com o senso de responsabilidade. Sim, trata-se de um comprometimento tão grande que se tem com a própria verdade interna, que não se pode ignorar, é preciso expressar as ideias que estão dentro de si. Ser criativo é ser honesto com aquilo que se acredita, ter coragem de se expor sem vaidade, e ser cordial no modo de colocar sua criação a serviço do mundo.


Criatividade não se restringe à expressão através da comunicação ou da arte, mas se expande em inesgotáveis formas de materializar sua mensagem no mundo, à maneira particular de cada indivíduo. Em um contexto marcado pela busca do propósito e autenticidade, as pessoas estão cada vez mais atentas a essa voz interior, e têm se perguntado: -- qual a obra, o legado que eu quero deixar ao mundo? E você, qual o seu papel no mundo?


A atividade artística funciona como descompressão, pois traz foco, concentração, relaxamento, tempo para si, satisfação pessoal. Além disso, é uma forma de empoderamento, pois foi você quem fez. É transformador, porque você se percebe capaz.

Bem-estar e criatividade, portanto, se conectam nesse ponto de intersecção entre “ser” quem você é, e “estar” aqui agora, no tempo presente.


Uma vez li uma frase que dizia que “as pessoas estão menos consumistas, mas cada vez mais imediatistas”. Isso me intrigou, pareceu um contrassenso... as pessoas querem economizar tempo, não porque têm coisas demais pra fazer, mas porque têm conteúdos demais para absorver, o que continua sendo um consumismo... de entretenimento, de mídia, de ideias alheias. E onde estão as suas próprias ideias?


Não estou falando que “ser criativo” é encher as redes sociais com fotos e posts, gerar conteúdos vazios que quase ninguém lê; não é produzir a todo custo, mas expor o que faz sentido, trazer novos sentidos, ressignificar.


Ser criativo é ter um olhar crítico sobre as coisas do dia a dia, ter um olhar apurado, reajustar, reparar, re-parar e olhar de novo, olhar o espelho, olhar o outro, olhar o mundo com calma, com alma. Ser criativo requer uma folha em branco, um respiro, um momento de descompressão, uma prática artística que te desafie a sair de onde você está para onde você pode ir.

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